..

..

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

A sinceridade de Dado vila lobos

Bem gentee esse é meu ultimo post de 2010 .Resolvi postar essa entrevista com o Dado villa lobos . axei muito interresante a sinceridade dele .Mas é a pura realidade rsrsrs espero que gostem.


Na revista Billboard Brasil 15, lançada em dezembro, a banda da capa é a Legião Urbana. O motivo de Renato Russo, Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá figurarem lá é o recente lançamento da coleção do grupo em CD digipack (com encarte turbinado, trazendo fotos e textos) e vinil, e a iminência de lançamentos de três filmes contando a história do grupo - além de mais um quarto, que corre por fora, chamado Dê-me abrigo, contando a história do show dado por eles em 1988 no estádio Mané Garrincha, em Brasília, que terminou em pancadaria. Durante o bate-papo, Dado e Bonfá falaram suas impressões a respeito da música atual - e o guitarrista, em particular, não poupou a banda-sensação Restart.

"Eu nem vejo o Restart como banda de rock. É um veículo para que se venda camiseta, chiclete, álbum de figurinhas. Não é porque o cara pendura uma guitarra elétrica no pescoço e tem um baterista que isso é rock. É um fenômeno pop adolescente. Aliás, adolescente, não! É pré-adolescente. Nosso público nunca teve esse perfil", diz o músico, que elogias bandas como Los Porongas e Cidadão Instigado, com as quais dividiu palcos.

Mas um selinho

Olá ganhei mas um selinho do blog: http://muraldebeleza.blogspot.com/ estou feliz por estar fazendo amemoria da banda  viva e presente pra voces .
então repassando o selinho para os blogs a seguir :

http://muambeiradigital.blogspot.com/

http://makeborrado.blogspot.com/

http://naninhamno.blogspot.com/

domingo, 26 de dezembro de 2010

♥ Motivos pra ser feliz...

Sem o que falar estou feliz , meus amigos fazem parte dessa felicidade 

." Não vou me deixar embrutecer eu acredito nos meus ideais; podem até maltratar meu coração,
que meu espirito ninguem vai conseguir quebrar.... "

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

♥ Tenho andado distraída, Impaciente e indecisa....


Haha estou postando essa musik pq hj me identifiquei com ela , tinha outro post preparado mas vou deixar pra outro dia rsrsrs espero que gostem da musica ela é perfeita .  LEGIÃO URBANA OMINIA VINCIT

Quase Sem Querer

Tenho andado distraído,
Impaciente e indeciso
E ainda estou confuso,
Só que agora é diferente:
Estou tão tranqüilo e tão contente.

Quantas chances desperdicei,
Quando o que eu mais queria
Era provar pra todo o mundo
Que eu não precisava
Provar nada pra ninguém?!...

Me fiz em mil pedaços
Pra você juntar
E queria sempre achar
Explicação pro que eu sentia.
Como um anjo caído
Fiz questão de esquecer
Que mentir pra si mesmo
É sempre a pior mentira,
Mas não sou mais
Tão criança a ponto de saber tudo.

Já não me preocupo se eu não sei por que.
Às vezes, o que eu vejo, quase ninguém vê
E eu sei que você sabe, quase sem querer
Que eu vejo o mesmo que você.

Tão correto e tão bonito;
O infinito é realmente
Um dos deuses mais lindos!
Sei que, às vezes, uso
Palavras repetidas,
Mas quais são as palavras
Que nunca são ditas?

Me disseram que você
Estava chorando
E foi então que eu percebi
Como lhe quero tanto.

Já não me preocupo se eu não sei por que.
Às vezes, o que eu vejo, quase ninguém vê
E eu sei que você sabe, quase sem querer
Que eu quero o mesmo que você.

domingo, 19 de dezembro de 2010

♥ Filho do Renato Russo


 Este jovem de 21 anos é o único herdeiro do líder do Legião Urbana, banda que chegou ao fim em 1996, com a morte de Renato Russo, mas que ainda hoje está presente no gosto dos jovens – de todas as idades. 

Giuliano mora com a avó paterna em um luxuoso condomínio no Lago Sul.
Giuliano Manfredini: "Todo mundo já teve um momento no qual se identificou com uma letra do Legião"

Próximo à Esplanada dos Ministérios, Giuliano mantém o escritório da sua produtora, a Mundano, que gerencia novas bandas. Até agora era a avó – que ele chama de mãe – quem administrava os direitos autorais que envolvem Renato. A par de toda a magnitude financeira que a obra de seu pai abrange, Giuliano está começando a tomar a frente dos negócios. “Só não me peça para cantar, que não levo jeito. Já tentei e não deu certo. Gosto é de ficar nos bastidores”, diz.
"Eu detenho o direito sobre o nome Legião Urbana, sou o verdadeiro herdeiro da banda", diz Giuliano.

Giuliano: "Ninguém pode falar que é heterossexual se nunca experimentou o outro lado"

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

♥ BLOG SHOW ♥


Recebi do bloghttp://jogandonaparede.blogspot.com/   e do  http://lalalajustme.blogspot.com/ o selo do blogueiro showww . desde já obrigado adorei
indicando aqui a receber o selinho tbm os blogs 

  1-http://fashionismoecia.blogspot.com/
  2- http://controlandominhamaluquez.blogspot.com/
  3-http://legionando.blogspot.com/
  4-http://garotinhasmulheres.blogspot.com/
                        5-http://garotaspuroluxo.blogspot.com/

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

♥Por um fã....


 Hoje o post é bem legal um texto em homenagem ao Renato por um fã,o texto é todo composto
 por frases de musicas da legião urbana .

Faço parte de uma legião,uma legião de poucos sobreviventes.


Uma legião que sabe se dez batalhões viessem à Rua E 20 mil soldados batessem à nossa porta Á sua procura
nós não diríamos nada Porque temos nossa palavra e sabe que há tempos sabia que é preciso amar as pessoas como se não houve se o amanhã
e sabe que o mais simples deveria ser visto como o mais importante,e que queria ao menos uma vez explicar
o que ninguém consegue entender e sabe que o que aconteceu ainda está por vim pois Viveremos entre monstros da nossa própria criação.
e que o futuro,há o futuro,"Risadas"
Ele já não é mais como era antigamente, e que também sabe que quer honras e promessas pois sabe que é um pássaro novo longe do ninho
e que ainda é cedo pra falar que será tudo isso em vão e que a riqueza que nos temos ninguém consegue perceber.
Nós já entregamos o alvo e a artilharia porque esse é o nosso mundo e o que é de mais nunca é o bastante,
só rabiscamos o sol que a chuva apagou,tudo bem,tudo bem Vai ver que é assim mesmo e vai ser assim pra sempre mais
só saberemos dar valor as coisas quando o sol bater na janela e nos lembrarmos que o caminho é um só;
Fazer o que? a humanidade é desumana mas ainda temos chance porque o SOL NASCE PRA TODOS,o sistema é mal mais minha turma é legal,
mas porque vc deixou suas veias fecharem ?,você não entende que o teu medo de ter medo não faz da minha força confusão porque o seu corpo é meu espelho,
mas pensando bem,hoje não dá vou concertar minhas asas quebradas e descansar ou vou deixar as ondas me acertar e o vento vai levar tudo embora,
parece até engraçado mas agora a linha do horizonte em distrai,e fico pensando,cadê você além de aqui dentro de mim ?
Olha Pra falar a verdade Ficaremos acordado em busca de um dia perfeito,assim como o das crianças,
mas fazer o que? Estamos aprendendo a viver sem você (Renato Russo),vamos fazer assim,vamos dar um tempo um dia a gente se vê (no céu) porque ainda é cedo,
olha só o sol dessa manhã tão cinza,e veja que a tempestade que chega é da cor dos seus olhos castanhos,então porque você não me abraça forte e me diz mais uma vez que já estamos distantes de tudo
pois temos o nosso próprio tempo ,e ainda temos todo o tempo do mundo,mas não pense que a nossa história não estará pelo avesso
Assim, sem final feliz.Teremos coisas bonitas pra contar. E até lá, vamos viver Temos muito ainda por fazer Não olhe pra trás Apenas começamos.


E não se esqueça que Somos os filhos da revolução Somos burgueses sem religião, Somos o futuro da nação!

FONTE: JEFFERSON DIAS

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

♥ A geração coca -cola

Quando legião urbana cantava: "Quando nascemos fomos programados,a receber o que vocês nos empurraram com os enlatados, dos U.S.A., de nove as seis, desde pequenos nós comemos lixo, comercial e industrial (...)" Renato Russo sabia que algo estranho estava acontecendo na nossa geração, ao contrário da música não sou tão otimista assim de que vamos fazer nosso "dever de casa". Olho para a nossa juventude e vejo gente alienada pela mídia, facilmente manipulada, sem opinião própria, sem gostos próprios, meros fantoches assistindo os porcos fardados deitar e rolar lá em cima. Realmente não é fácil fugir dessa alienação, olho para as crianças e vejo elas indo no mesmo caminho, elas não brincam mais juntas, não brincam mais de bolinha de gude, muito menos de amarelinha, empinar pipa tá ultrapassado! Bom mesmo é jogar playstation 3 e ver desenho animado no quarto.
Alguns falam que somos a geração da tecnologia, realmente é indiscutível o passo tecnológico que demos, mais não me sinto tão orgulhoso disso, pois não vejo nossa contribuição para que isto ocorresse. De 64 a 85 vivemos a ditadura militar, nossos jovens iam as ruas protestar, brigar com a polícia! Nossos artistas faziam protesto através da música, marcaram seu nome na história, deve ser muito bom sentir que a sua geração fez a diferença, exemplo disso foi as diretas já.
Artistas com a qualidade de Cazuza, Raul Seixas, Mutantes, Bob Dylan , Janis Joplin e outros não se encontram mais, ouvir qualquer coisa tá ótimo, porquê a mídia diz que tá ótimo. Um dia vamos acordar e ter 30 anos, um dia nossos filhos vão perguntar o que a geração coca cola fazia, ae vão existir 4 tipos de respostas, ou se era emo, ou tinha raiva dos emos, ou se era um alienado pela mídia, ou era um dos poucos loucos que tentavam expandir suas idéias.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

♥Nunca fui santo ...

 O músico  Renato Russo se diz homossexual, conta que largou  as drogas e critica a imprensa que glorificou a dor do roqueiro Kurt Cobain

Há dez anos eles surgiram no Planalto Central e conquistaram os adolescentes de todo o País, cantando músicas que se tornaram hinos de uma geração, Não havia rádio que não tocasse sem parar o refrão "Somos os filhos da revolução/somos burgueses sem religião/somos o futuro da nação/geração Coca-Cola". Seis discos depois e 33 milhões de cópias vendidas, o Legião Urbana - sem o baixista Renato Rocha, que abandonou o grupo depois do terceiro álbum - continua arrebatando corações adolescentes. O maior responsável por isso é o líder da banda, o letrista e vocalista Renato Russo, nascido Renato Manfredini Jr., há 34 anos, no Rio de janeiro. Ex-professor de Inglês, ex-jornalista, Renato Russo é um personagem polêmico: já foi acusado de ter incitado o público a depredar o Estádio Mané Garrincha, em Brasília, em 1988, já desmaiou num palco em Belo Horizonte, em 1990, e já foi expulso por seguranças quando tentava, embriagado, entrar no camarim do grupo Emerson, Lake & Palmer, em 1993, no Rio. Mas nenhum desses episódios é capaz de ofuscar o talento nem aplacar a coragem de Renato,  principalmente quando defende abertamente bandeiras ainda tão difíceis no Brasil, como o homossexualismo. Pai de Giuliano, um menino de cinco anos, Renato abre o jogo nesta entrevista a ISTO É:  conta a sua luta contra o alcoolismo, critica duramente a imprensa, responsável pela "glamourização excessiva do rock"; e fala sobre o disco solo, só com músicos em inglês, que deverá ser lançado em junho. O álbum terá 21 músicas e vão de Bob Dylan a lrving Berlin, de Cole Porter a Madonna. É uma homenagem pessoal de Renato aos 25 anos de Stone Wall, o bar de Nova York onde gays americanos pela primeira vez enfrentaram a polícia em defesa de seus direitos. O dinheiro arrecadado com as vendas do álbum será revertido para a campanha do Betinho.
 
ISTO É - O Sr. acaba de gravar um disco sem o Legião Urbana. Seria o início de uma carreira solo?.
Renato Russo - Não estou lançando uma carreira solo. Este disco foi feito especificamente para a campanha do Betinho e para comemorar os 25 anos do concerto de Stone Wall. Eu tenho ficado assustado com a irresponsabilidade da imprensa no Brasil que tem veiculado certas notícias como esta. Existe uma rixa entre os cadernos culturais do Rio que é uma coisa perniciosa, improdutiva e prejudicial ao leitor. É uma mentalidade medíocre, uma coisa ressentida. Acho que se algumas pessoas não gostam do Brasil e querem estarem Nova York, devem ir para lá. Mas não, ficam escrevendo sobre os clubbers de Manchester ou que a droga da moda é essa ou aquela. Quer coisa mais irresponsável do que esta, quando temos no Rio de Janeiro famílias inteiras morrendo por causa do tráfico de drogas? Agora, o Kurt Cobain se matando no palco, dando um vexame - qualquer pessoa normal via que aquele rapaz estava sofrendo -, os jornais vão lá e dão nota dez, porque é um grande show de rock 'n 'roll. Essas pessoas precisam ter suas cabeças examinadas. Como não quero criar polêmica, preferi fazer um disco. Escolhi fazer um disco só com canções em inglês para não confundir com o trabalho do Legião. São canções de amor, eu cantando para um outro cara.
 
ISTO É -  Quando e como foi que o sr. resolveu assumir publicamente sua homossexualidade?
Russo - Foi em 1988. Faço parte uma minoria, que não é tão minoria assim, ainda mais neste país. Me considero pansexual, mas sou o que as pessoas chamariam de  homossexual. O que acontece nesse país é o seguinte: se você tem uma postura de homem, você não é considerado homossexual. Chegam pessoas para mim e dizem [com a voz afetada] "não Renato, você não é gay, você não desmunheca". Tá bom. Desde quando eu preciso botar uma peruca e sair rebolando? Isso porque somos uma sociedade católica, machista e falocrata. Tenho amigos muito educados que são heterossexuais mesmo, casados, mas todo mundo acha que eles são bichas. Mas conheço um monte desses garotões fortões que nunca ninguém vai dizer que é. Mas são. Então, isso faz parte da minha vida. Não é um problema. É importante falar sobre isso. Se eu fizesse parte de outra minoria e se existissem coisas que me incomodassem, acho que, tendo a posição de artista, eu falaria. Não é para ser politicamente correto ou para chama atenção. Já tive namorada, já tive filho, mas gosto de hoje poder cantar uma música de Bob Dylan dizendo "lf you see him" em vez de "If you see her" ("Se você o vir" em vez de "Se você a vir")
 
ISTOÉ - Poderia falar mais sobre seus relacionamentos?
Renato Russo - Saí agora de um relacionamento de dois anos que mexeu profundamente comigo. Acho que vou ficar uns dez anos escrevendo músicas de amor, do tipo "meu amor partiu". Por isso, resolvi fazer o que sei: cantar e lançar um disco. É a maneira que eu tenho para lutar contra o fascismo, que está voltando. Minha participação é ser um exemplo. Quanto mais gente perceber que as pessoas podem ter uma orientação sexual diferente da norma - e por serem diferente; da norma não são anormais ou doentias - e que podem ter uma vida digna, estou satisfeito. [Engrossa a voz] Cara, eu me considero muito macho, entendeu? Tenho 34 anos, casa própria, sou super-responsável, cumpro meus compromissos, não roubo, não minto, não mato e tenho amigos que me dão força. Tenho meus defeitos também, porque não sou santo, mas participo ativamente da vida de meu país. Para mim, ser homem não é sair dando portada nas pessoas, como ser mulher não é ser submissa, ficar em casa segurando o chinelinho para o marido. É preciso parar com o sexismo e ver que aquilo que existe é a dignidade do ser humano.
 
ISTO É - O sr. tem medo da Aids? Como lida com ela?
Renato Russo - Uso camisinha direto desde 1986. Qualquer pessoa que tem vida sexual ativa está no grupo de risco.
 
ISTO É - O Legião Urbana já passou por diversas fases desde a sua criação. Como o sr. vê a banda hoje?
Renato Russo - Por sorte e também por causa do nosso trabalho, nós conseguimos continuar numa posição de destaque dentro da linha que seguimos. Depois de dez anos, nosso trahalho continua sendo bem aceito pelo público. O primeiro disco continua atual. Dentro do que é o trabalho do Legião Urbana, não existe muito espaço para maiores novidades, principalmente porque nós falamos de nossas vidas e não existe muita novidade nelas. O que existe é uma certa maturidade. Eu não sou mais adolescente. Tenho 34 anos, o Bonfá e o Dado estão com 30. Isso significa que temos filhos e outras responsabilidades. Eu não fico mais em casa ouvindo rock'n'roli sentado no chão com meus amigos.
 
ISTO É - Quando afirma que não existe mais espaço para muitas novidades, o sr. está de alguma forma admitindo que o Legião pode estar sendo repetitivo? O sr. tem esse receio?
Renato Russo - Não, porque nós somos muito talentosos. Se fosse para ser repetitivo, já no primeiro disco a gente teria músicas repetitivas. A questão não é esta. O que existe é uma tentativa de ser o mais variado possível dentro de uma situação que permanece a mesma. No caso, em se tratando da questão social do País, a situação nem é a mesma; está pior. Quando o Legião Urbana começou eu tinha 20 e poucos anos e acreditava em coisas que não acredito mais. Hoje acredito mais na mudança interior das pessoas.
 
ISTO É - Até cinco anos atrás, essa geração do chamado rock Brasil, que inclui Legião Urbana, Paralamas do Sucesso e Titãs, tinham muito mais força e projeção. O que mudou?
Renato Russo - Acho que mudou o público. O público que tinha 20 anos hoje tem 30. E a gente está falando de rock. O Legião tem um público de pessoas muito novas. Nunca seguimos uma moda. Não fazemos rock porque é moda. Pode ser que tenha passado um momento, que foi o da descoberta pela imprensa, de empatia e de grandes shows. Mas eu não gosto de fazer grandes shows. Não me satisfaz. Interfere na minha privacidade, em como me vejo como artista e cidadão. Também não fazemos televisão, mas  continuamos tocando. Pode ser que não estejamos na lista dos dez primeiros, mas estamos entre os 20. Com vendas é a mesma coisa. O rock é isso: atingir o coração das pessoas, não é anúncio de iogurte.
 
ISTO E  - Há toda uma geração de músicos cinquentões no Brasil e no Exterior
que continua fazendo grande sucesso e ocupando amplo espaço na mídia. Falta
renovação?
Renato Russo - ISSO é uma questão de talento e maturidade. Esse pessoal conseguiu sobreviver aos anos 60. Eles têm uma força muito especial. Música não tem idade. E as pessoas esquecem de uma coisa fundamental: essa geração, que hoje está com 30 anos, foi a primeira, depois da abertura dos anos 60, a entrar em todas as áreas. O pessoal de publicidade, teatro, cinema, poesia, vídeo, alguns jornalistas. Antes da geração do Chico, Caetano e Eric Clapton isso não existia. O que temos hoje é que muitas pessoas estão indo por outras áreas, inclusive para uma participação política. Os anos 60 foram uma época especial. É a mesma coisa que dizer que depois dos anos 40 não apareceu mais nenhum grande compositor clássico. Claro que não. Por quê? Não sei. O Chico e o Caetano continuam tão atuais quanto antes. Acho maravilhoso que volte a haver um respeito pelos nossos maiores artistas no campo da música.
 
ISTOÉ - O sr. acha que aos 50 anos ainda estará compondo e fazendo sucesso?
Renato Russo - Não sei. Não sei nem mesmo o que vou estar fazendo daqui a três dias.
 
ISTOÉ - Uma pesquisa recente mostra que o universitário do Rio de Janeiro não tem o hábito de ler. Os jovens são mais alienados hoje do que há dez anos quando surgiu o Legião Urbana?
Renato Russo - O jovem é jovem desde que o mundo é mundo. O que eu acho um crime é a falta de perspectiva; para o jovem no Brasil. Acho que se o jovem é alienado hoje, é porque é burro. Atualmente existe muito mais informação.
 
ISTO É - As drogas são uma presença constante no mundo do rock. A vítima mais recente foi o Kurt Cobain, líder do Nirvana, que se suicidou. Como o sr. vê essa conexão?
Renato Russo - Acho que a droga é uma coisa presente em todo o mundo, só que a dona de casa que toma bolinhas não sobe ao palco para fazer show. Assim como o motorista de ônibus que todos os dias sai do trabalho e vai tomar uma cervejinha com os amigos. É exatamente a mesma coisa. O que acontece no rock é que existe uma glorificação e uma glamourização desse tipo de comportamento, porque por algum motivo se acha que isso é uma coisa irreverente, rebelde e ligada à adolescência. Os artistas estão mais expostos. Chama muito mais atenção um Kurt Cobain morrer do que aquele vizinho seu prédio que morreu de cirrose. A glamourização do rock parte da imprensa.
 
ISTO É - Não acha que essa glamourização faz parte do próprio mundo do rock?
Renato Russo - O Paul Mccartney disse certa vez: "Eu tomo LSD, mas quem está fazendo o maior escarcéu são vocês da imprensa." Se o pessoal vai para o clube e toma Ecstasy, isso é com ele mas se sai uma página inteira de jornal dizendo que a juventude inglesa está fazendo isso e que isso é bacana de se fazer, não me venham depois botar a culpa no rock'n'roll. Ficam vendo o cara se destruindo no palco e acham maravilhoso. Eu não acho maravilhoso a Janis Joplin sozinha num quarto, saindo para comprar heroína, caindo, quebrando a cara na escada e morrendo. Não acho legal Jimmi Hendrix, o maior guitarrista de todos os tempos, lá, sufocado no próprio vômito. Vem alguém e diz "isso é rock'n'roll". Para mim, isso é burrice. Nunca vi U2, Dire Straits, Sting, Morrisey e tantos outros glamourizarem o uso de drogas. Existem milhões de artistas, mas vai todo mundo ficar falando do Kurt Cobain. Existe uma coisa mórbida que é as pessoas quererem que os artistas sejam sacrificados em seu lugar. É uma espécie de expurgo. A maior decepção é quando um Lou Reed sobrevive, ou Eric Clapton ou Keith Richards. Morrem os 10% que são dependentes químicos. O alcoolismo é uma dependência química e isso é uma doença primária, crônica, incurável e fatal. Sempre termina em morte. É uma pena. O Cobain era extremamente talentoso. Mas e aí? Não vai mais ter disco do Nirvana, sinto muito.
 
ISTO É - Como foi que o sr, começou a tomar drogas?
Renato Russo - Isso é pergunta que se faça, ô cara? Foi tomando uma cachacinha numa mesa de bar, está bom assim?
 
ISTO É - Como é sua relação com as drogas e o álcool? O sr. é viciado?
Renato Russo - Não. Eu não posso tomar drogas. Sou alcoólatra e dependente químico. Freqüento um grupo de apoio, de auto-ajuda, de pessoas que têm o mesmo problema, que se reúnem para se dar força. Estou seguindo a programação dos 12 passos, que não tem nada a ver cora religião, mas é uma coisa espiritual. A programação faz com que você tome uma consciência espiritual sem necessitar do álcool. Não sei dizer se viciado é a palavra certa. Eu sou dependente químico. Usei drogas durante 15 anos, lícitas e ilícitas. Isso é uma coisa da qual eu não me orgulho, mas acredito nessa coisa do poder superior: eu vim para cá assim, né? É uma coisa que tinha que acontecer. Eu dou graças a Deus, porque hoje estou bem. Mas cheguei num ponto parecido com o do nosso amigo Cobain.
 
ISTO É - O sr. já tentou se suicidar?
Renato Russo - Não, mas meu plano era ir até... A doença te domina de tal maneira que você pensa que é daquele jeito, mas na verdade não é. É como uma depressão. Você não consegue sair daquilo, vai usando isso, aquilo e, de repente, o mundo vai fechando. Você fica agressivo sem perceber. Tudo é cinza. Você não consegue ver nada de positivo. E a vida não é nem boa nem ruim: a vida é o que a gente faz da vida, mas, é claro, se você vive entupindo seu corpo com toxinas... No começo é até interessante. É o que a gente chama de lua-de-mel. Depois é fatal. Quem é dependente químico, se não parar, morre. E se não morrer de overdose, suicídio ou câncer no fígado, morre em acidente de carro ou coisa assim.
 
ISTO É - O sr. já foi chamado de profeta da sua geração. Como reage a isso?
Renato Russo - Não me vejo como profeta ou Messias nem nada. Sou um cantor de rock, um músico, um artista. Eles te colocam lá em cima para depois te derrubar. É o que estão fazendo agora com o Betinho. Primeiro Betinho é maravilhoso. Aí, acontece qualquer coisa e Betinho não é mais maravilhoso.
 
ISTOÉ - O sr. acha que o Brasil tem jeito?
Renato Russo - Não tenho que responder isso. Trabalho, faço minhas coisas. Se eu não acreditasse em nada, não estava aqui ensaiando com minha banda, não teria vontade de ver meu filho quando vou a Brasília. Se não acreditasse em nada, dava um, tiro na cabeça como o Kurt Cobain.

Entrevista enviada por Mário Luiz Simici

domingo, 12 de dezembro de 2010

♥Momento Meu.......

A Via Láctea

Legião Urbana


Quando tudo está perdido
Sempre existe um caminho
Quando tudo está perdido
Sempre existe uma luz...
Mas não me diga isso...
Hoje a tristeza
Não é passageira
Hoje fiquei com febre
A tarde inteira
E quando chegar a noite
Cada estrela
Parecerá uma lágrima...
Queria ser como os outros
E rir das desgraças da vida
Ou fingir estar sempre bem
Ver a leveza
Das coisas com humor...
Mas não me diga isso...
É só hoje e isso passa
Só me deixe aqui quieto
Isso passa
Amanhã é um outro dia
Não é?...
Eu nem sei porque
Me sinto assim
Vem de repente um anjo
Triste perto de mim...
E essa febre que não passa
E meu sorriso sem graça
Não me dê atenção
Mas obrigado
Por pensar em mim...
Quando tudo está perdido
Sempre existe uma luz
Quando tudo está perdido
Sempre existe um caminho...
Quando tudo está perdido
Eu me sinto tão sozinho
Quando tudo está perdido
Não quero mais ser
Quem eu sou...
Mas não me diga isso
Não me dê atenção
E obrigado
Por pensar em mim...
Não me diga isso
Não me dê atenção
E obrigado
Por pensar em mim...

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

♥Entrevista com o Renato

 
Renato Russo


 
Uma coisa é certa, Renato Russo adorava falar. Quando o assunto era cinema, o jeito era deixá-lo falar. Ele nem sempre terminava as frases que iniciava, utilizando-se sempre de onomatopéias.
Na madrugada de 22 de abril de 1990, após o último show da Legião em Ribeirão, ele recebeu algumas pessoas no hotel. Aos poucos A FALECIDA foi entrando no papo dos fãs com o vocalista da LEGIÃO URBANA.




 

 
UM FÃ: Na música "Pais e Filhos" você cita o 5º andar. Por que?
RENATO RUSSO: É sobre uma amiga, ela não sabia que era adotiva, era muito problemática e um dia ela descobriu que era adotiva; foi um choque para a cabeça e ela se jogou... essa é a vantagem, pra cada pessoa significa uma coisa, mas isso não é o mais importante da música, isso é o que leva a música para a conclusão, que é justamente aquilo que a gente fala nos shows: por mais difícil que as coisas estejam, você sempre pode levar uma vida nova em outro lugar.
 
UMA FÃ: Qual é a história da música "Eduardo e Mônica"?
RUSSO: É um casal de amigos lá de Brasília.
 
UMA FÃ: E "Faroeste Caboclo"?
RUSSO: "Faroeste..." é legal e tudo mas é uma música muito complicada, fala de drogas, eu quero falar de coisas pra cima agora...
 
UMA FÃ: Você fez numa época em que estava pra baixo?
RUSSO: Não, é uma história. Esse negócio de ficar pra baixo ou não, isso é muito relativo. Eu não tenho culpa, às vezes vêm aquelas coisas tristes, que fazem que a gente se sinta como no entardecer, são as coisas bonitas... o que eu estou tentando fazer é falar de coisas bonitas que fiquem bonitas também, que não fique a bobagem do i-la-ri-ê. Eu adoro a Xuxa, mas eu acho uma música como "Quase sem Querer" super-legal. Naquela música a gente tentou fazer uma coisa pra cima e ficou bonito, não ficou piegas, porque o problema de você fazer uma música que fala de carinho, de ternura, é que às vezes fica assim... entra por um ouvido e sai pelo outro, aí fica todo mundo batendo palma e não dá em nada.
 
A FALECIDA: E o seu futuro na literatura? Você tem planos de escrever?
RUSSO: Ah, claro!
 
A FALECIDA: Você já tem alguma coisa pronta?
RUSSO: Não, absolutamente não. Eu demoro tanto pra escrever só uma letrinha desse tamanho...
 
A FALECIDA: Mas "Índios" você escreveu no estúdio.
RUSSO: Foi. Quer dizer, às vezes... "Faroeste..." eu escrevi em duas horas e meia. Foi assim: PRARRRRNNN. Sabe, mas era fácil por causa da métrica, "Faroeste..." tem uma métrica de música brasileira, então fica fácil. Por exemplo: estava lá cantando com uns amigos, de repente vieram uns fãs e entraram no hotel (em ritmo de "Faroeste Caboclo"). Entendeu? O jeito que funciona cada TÃGA-DÃGA-TÃGA? Fica fácil de improvisar, aliás é justamente o improviso do repente, então na hora a história foi aparecendo, aparecendo, eu fui escrevendo, escrevendo e aí saiu, mas tem outras letras que levam séculos. Quer ver, a letra que foi mais difícil de escrever do Quatro Estações, que eu demorei meses pra escrever: "Há Tempos". Mas aquilo cara, demorou séculos. Quanto mais simples mais difícil é. Então uma letra como "Sete Cidades", que é assim: já me acostumei com a tua voz, com o teu rosto e com teu olhar. Gente, mas pra escrever isso demora séculos, eu pelo menos, eu tenho dificuldade.
 
A FALECIDA: Sua identificação com o público, que te escreve cartas. Esse lance de não entendo meus pais, meus pais não me entendem; foi uma carta que você recebeu? Foi isso?
RUSSO: Não. Eu não sei. Eu nunca pego coisas que as pessoas me escrevem. Mas é o que acontece na vida da gente, eu acho muito mais legal escrever sobre uma coisa que eu entendo, que eu já vivi, do que tentar inventar uma estória e sentir coisas que eu não sinto. Sabe, porque, pra você cantar e tudo... E no show é muito puxado, o público puxa muito da gente também, então eu tenho que estar cantando coisas que eu sei, coisas que eu vivi.
 
A FALECIDA: Vocês tiveram uma fase de problemas com o público. Pesou um pouco? Vocês deram uma parada?
RUSSO: Eu não tive problemas com o público, ele é que teve problemas com a gente. Mas é que aquilo, estava todo mundo muito mal, a situação no Brasil estava muito mal.
 
A FALECIDA: Mesmo hoje, cantando "Geração Coca-Cola", esse tipo de coisa, você tá cantando diferente ou é o público que te entende diferente?
RUSSO: Não, veja bem, agora a gente canta num contexto diferente. Tem "Se fiquei esperando meu amor passar", tem "Monte Castelo". Então não é a mesma coisa que só cantar "Geração...", "Mais do mesmo", "Que país é este", aí fica muito pesado. A própria música "Há Tempos" já abre o show de uma maneira diferente, antigamente a gente abria com "Que país é este", já começava: ARHGGGHHH, agora não, já começa assim: LA-RÁ...
 
A FALECIDA: Você tem alguma influência do Morrissey?
RUSSO: Eu não sei, as pessoas dizem que "Tempo perdido" é igual ao Morrissey, mas a gente fez aquela música antes de conhecer os Smiths. Eu adoro o Morrissey, acho o máximo. Se bem que esse trabalho solo dele... eu queria tanto que os Smiths não tivessem acabado. Por isso é que às vezes a gente demora a lançar disco, a gente sabe que é importante ter a banda. Aí fica todo mundo: ah, Renato, por que você não faz uma carreira solo? - Eu acho isso tão chato. É tão bacana você ter uns amigos e tudo, que se acontece uma coisa errada, a culpa não é de ninguém, e se acontece alguma coisa boa, você compartilha isso com todo mundo. Se der uma coisa errada eu não vou ficar achando: ah, eu que errei, e de repente, se der alguma coisa certa eu não vou ficar assim: poxa, eu sou um gênio! Que nada, tem toda uma equipe, tem toda uma galera que trabalha junto.
 
A FALECIDA: Você comentou da semelhança de uma fã aqui no hotel com a Anjelica Huston. Você gostou de CRIMES E PECADOS?
RUSSO: Achei bom, com uma linguagem pura, mas não gostei. Do Woody Allen eu prefiro MANHATAN. Em CRIMES E PECADOS eu saí do cinema pensando: eu acredito em Deus! Eu adoro cinema... dos franceses eu gosto de Renoir, Bresson. Cinema americano eu acho muito legal, em geral eu não tenho nada contra Hollywood, tem muita coisa do cinema americano que eu gosto. Tem tanta coisa, às vezes eu gosto de filmes específicos também. Por exemplo, do Wenders tem um dos melhores filmes que já vi na minha vida que é o ALICE DAS CIDADES, o quê é aquilo cara? Eu gosto de filmes assim, que você sai do cinema assim: AHHNNN, sabe? É uma lição de vida, você fica feliz. Ah, vamos ver, são tantos filmes bons né? Gosto muito do Pasolini, se bem que ele tem umas coisas que eu detesto...
 
A FALECIDA: SALÓ...
RUSSO: Não, SALÓ eu gosto, A TRILOGIA DA VIDA. O que eu não gosto é POCILGA, MEDÉIA, acho um saco. Mas ACCATTONE é legal, TEOREMA eu acho muito legal. O Peter Weir é um cara que eu gosto. GALLIPOLI é muito legal. Vamos ver quem mais? Tem um cara inglês chamado Stephen Frears, ele fez SAMMY & ROSIE, LIGAÇÕES PERIGOSAS, MINHA ADORÁVEL LAVANDERIA. Vamos ver do que mais eu gosto? Cinema inglês eu adoro, aquele pessoal que fez o filme UMA JANELA PARA O AMOR, que o nome em português é horroroso, mas em inglês é muito legal. Agora, atores... eu posso ficar falando...
 
A FALECIDA: Pode falar...
RUSSO: Meus três atores favoritos da atualidade: o Daniel Day-Lewis, o Mathew Broderick e um cara chamado Cary Elwes, que ninguém conhece, mas esses são os meus três.
 
A FALECIDA: Voltando aos diretores, e o Jarmusch?
RUSSO: Não gosto nem um pouco. Acho chato... ah, eu não quero sair de casa pra ficar assistindo aquelas coisas, aquele povo pobre. Ah, eu não gosto não. Mas o STRANGERS IN PARADISE é legal, porque tem um final feliz, mas não é o tipo de coisa que eu gosto. Eu gosto desses filmes de chorar... passou um lá no Rio chamado FLORES DE AÇO...
 
A FALECIDA: De quem?
RUSSO: Não sei... é do Herbert Ross. Mas é com a Shirley McLaine, Olympia Dukakis, Julia Roberts, Sally Field, Dolly Parton e Daryl Hannah. Cara, é tão legal, mas imagina, se eu falar que gosto desse tipo de filme as pessoas vão falar assim: nossa, mas o Renato... que as pessoas acham assim: ele deve adorar Bergman...
 
A FALECIDA: Godard...
RUSSO: E não é assim sabe? Eu não tenho nada de especial com Bergman nem com Godard, entendeu? As pessoas acham que eu sou um super-intelectual. Que nada! Eu gosto de me divertir, sabe? Então esse filme se chama STEEL MAGNOLIAS, é bonitinho. É uma bobagem, mas é bonitinho. Vamos ver, eu gosto muito de cineastas americanos, muito...
 
UM FÃ: E o "Faroeste..."? Não vai virar filme?
RUSSO: Ia né, mas aí no meio do caminho enrolou tanto; e depois a gente ficou pensando assim: no fundo é uma glorificação das drogas, entendeu? Eu não sou fascista nem nada, eu acho que cada um faz o que for da sua vida, agora, é uma coisa que é contra a lei, e se você não sabe segurar legal, é uma coisa muito negativa, então a gente ficou pensando: como é que a gente... imagina, primeiro o filme ia ter que ser para 18 anos né? Aí a gente: poxa, por que a gente não faz um de "Eduardo e M6nica", esse é muito mais bonito? Mas cara, é horrível fazer cinema no Brasil. É muito difícil, difícil mesmo... Ah!!!
 
A FALECIDA: Fala!
RUSSO: Filmes recentes que eu vi e gostei: tem um filme chamado APARTMENT ZERO, que eu não sei se vai passar aqui no Brasil e eu não sei o nome do diretor, mas tem um outro diretor chamado Gus-Van Sant, ele fez um filme com o Matt Dillon, chamado DRUGSTORE COWBOY que é muito bom. E vamos ver? Eu gosto de um cara chamado Jean Daniel-Clarinot, ele faz filme pornô-gay, mas é super-legal. E vamos ver o que mais: musicais em geral, comédias e essas coisas assim.
 
A FALECIDA: O aspecto geral da Cultura no Brasil. Como você vê?
RUSSO: Eu não vejo ora bolas...
 
A FALECIDA: Não, você trabalha nela mas... como o pessoal recebe e como é passada a Cultura para o pessoal?
RUSSO: Eu não sei, acho que a partir do momento em que 60% dos eleitores são analfabetos, falar de Cultura fica difícil né? A não ser que seja aquela Cultura de feira, mas o Brasil não é só isso, e isso tá acabando. Então você vai lá no Mercado Modelo, tem aquelas coisinhas, tudo feito em série e o pessoal não tá nem aí. E o resto? O que a gente tem? Não tem quase nada. O artista é sempre quem sofre mais. Você não viu a carta que a Fernanda Montenegro escreveu? É aquilo mesmo, quem especula cara... imagina se a Fernanda Montenegro especula! Pra você escrever um livro... quais são os autores brasileiros atuais? Ninguém sabe. Eu não sei cara (enfático)! Quais são os pintores? Eu não sei, entendeu? É difícil pra caramba cara! Então, o que está mais em evidência são as coisas ligadas à televisão, ao rádio e nisso entra o Rock'n'Roll e tudo. Eu acho assim, o rock é muito criticado, mas de uma certa maneira, acho que tem um aspecto super-legal, sabe? É importantíssimo a gente ter os Titãs, ter as bandas independentes como o Fellini, o Último Número, o Sexo Explícito... tão batalhando né? Os Paralamas...
 
A FALECIDA: Como é o relacionamento com as outras bandas? É normal?
RUSSO: Ah, é assim né: se a gente se encontra é - oi, tudo bem, não sei o quê? - é aquela festa, mas vai cada um pra cada canto e fica falando mal de todo mundo. Não!!! Estou brincando! A gente se encontra raramente, em aeroportos, gravações de TV.
 
UM FÃ: Lula ou Collor?
RUSSO: Freire. E eu não sou nem comunista!
 
UMA FÃ: E no segundo turno?
RUSSO: No segundo eu estava em Nova York, fui embora. Ah, aquele negócio do Sílvio Santos me deixou tão deprimido (risos). Ô gente, foi muito esquisito. Olha, eu até gosto do Sílvio Santos, mas aquilo foi muito esquisito. E a gente estava terminando de gravar o disco, a gente estava muito confuso, e aquele finalzinho de ano foi horrível né? Um caos. Aí eu falei: ah, que nada... ainda bem que eu viajei. Imagina, se eu deixasse a viajem pra agora, ia ficar sem meu apartamento e sem minha viagem! (n.r. Renato Russo perdeu a grana que estava juntando para comprar um apartamento quando o Plano Collor tomou "emprestada" a Poupança de todo mundo)
 
A FALECIDA: Você teve dificuldades para compor as letras do Quatro Estações?
RUSSO: Eu sempre tenho dificuldade para fazer qualquer coisa na minha vida.
 
A FALECIDA: Mas nesse a barra pesou um pouco?
RUSSO: Não tudo né? Porque a gente prefere fazer músicas que fiquem, sabe? Eu quero que o meu filho, quando ele tiver idade pra entender o que gente tá falando, daqui a três, a quatro ou oito anos, que ele vai poder ouvir "Pais e Filhos" e vai falar assim: poxa pai. Entendeu? Que nem eu ouvia Beatles, até aquelas coisinhas mais antigas de Beatles dá pra ouvir hoje em dia numa boa. Alguém se lembra de "Choveu no meu chip" (n.r. música do grupo Eletrodomésticos)? Vocês não se lembram. Se lembram das músicas do Sempre Livre? Gente, olha, eu adoro o RPM, mas assim, o nosso disco tá vendendo até hoje, o primeiro tá vendendo até hoje. E é gozado porque nos shows as pessoas gostam do primeiro disco e tudo. Então a gente prefere ter dificuldades, e também as coisas que são mais difíceis são mais gostosas no final. Eu não sei se eu vou continuar escrevendo letras que as pessoas vão gostar, eu não sei como é que vai ser o trabalho da gente, mas eu acho que, eu me lembro que todo mundo reclamava: poxa, vocês estão demorando um tempão pra lançar esse disco! - Depois que você lançou, mesmo que você levou dois anos, todo mundo esquece, porque o tempo cura todos os males, o tempo passa, entendeu? Eu achei muito bacana a gente ter levado um ano, quase um ano e dois meses pra fazer esse disco e ter feito do jeito que saiu. Tem muitos defeitos, não é uma obra-prima, mas eu acho que é um disco bem bonitinho, eu acho muito bacana, me acalma quando ouço, sabe? E eu acho isso muito mais válido do que você... sabe? E pronto, e daí? Aí as pessoas te esquecem e nunca mais? Eu não! Eu não quero ficar para a posteridade mas eu quero que as músicas continuem encontrando pessoas que vão se identificar com elas. E a gente tem uma responsabilidade muito grande, porque eu não sei, mas eu percebo que pelo menos no nosso caso, no caso da LEGIÃO, quem gosta da gente tem uma ligação emocional muito forte, por causa das letras, por causa do que a gente fala, então não é aquela coisa: CHA-LÁ-LÁ... é aquela coisa: quando você tá triste, se sentindo sozinho, aí você ouve LEGIÃO, quando você tá feliz, aí você ouve LEGIÃO. Que nem eu ouvia Beatles, entendeu? E eu acho isso muito importante, você não pode pisar em cima disso. A gente já tem que ter cuidado no Brasil, porque aqui é tudo tão difícil, se a gente faz um programa errado, dá uma entrevista e fala alguma bobagem, que sai, é muito difícil, porque as pessoas levam a gente muito em consideração, então, ora bolas, é o meu trabalho cara... se eu for um padeiro, vou fazer o melhor pão, ou pelo menos tentar... é assim, então é isso...
 
A FALECIDA: E as máximas do Renato Russo?
RUSSO: Que máximas?!
 
A FALECIDA: Quem espera sempre alcança?
RUSSO: Ô gente, eu só sei que eu nada sei.
 
A FALECIDA: Quem espera sempre alcança?
RUSSO: Eu não falo nunca mais isso, que estão ligando lá pra casa dizendo: ah, Renato, mas foi você quem disse que a gente consegue tudo, consegui teu telefone (imitando uma fã)...
 
A FALECIDA: Por isso que estamos aqui cara, conseguimos...
RUSSO: É, vivendo e aprendendo né?!! (risos) 

Entrevista: Angelo Davanço

domingo, 5 de dezembro de 2010

♥INGRESSO








                                                         

sábado, 4 de dezembro de 2010

♥Legião Urbana vende 20 mil cópias por mês

Contrariando a máxima de que até Coca-Cola precisa de comercial para continuar vendendo, Legião Urbana aposta seu marketing na força de canções que continuam a conquistar os jovens, identificados com os versos de autoria de Renato Russo.
Uma pesquisa recentemente divulgada pela Ovi by Nokia, marca de serviços para internet, aponta que o grupo nacional campeão de downloads no País é ele, o Legião Urbana.O grupo, também integrado por Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá, se desfez em 1996, com a morte do vocalista e seu principal compositor, Renato Russo, vitimado pela Aids. Ou seja, o Legião não chegou a pegar a fase da popularização da internet enquanto esteve no auge do sucesso. Mas se perpetuou com a geração seguinte.o Legião vende cerca de 20 mil cópias por mês, entre todos os produtos do catálogo da marca
       

Mesmo com a morte de Renato e com o fim da banda as musicas continuam vivas,ganhando
sempre mais adeptos.
Renato Russo deixou um respeitável legado musical para esta geração e de todas que estão por vi. 
issu tudo é um grande presente para nos mostrando que tudo q o RENATO RUSSO DEIXOU "NÃO FOI TEMPO PERDIDO"

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

"Entrevista: Eu não quero mas cuspir em ninguem

(Trechos da entrevista, Correio Braziliense, 18/fevereiro/1986)

Tomando emprestado uma expressão cunhada pelos sambistas cariocas, pode-se dizer que o Legião Urbana está arrebentando a boca do balão. Ao lado do Ultraje a Rigor e RPM, forma atualmente, o triunvirato das bandas mais populares do rock brasileiro (...)

Esse segundo elepê, musicalmente, segue a linha do primeiro disco, ou a Legião propõe alguma novidade?

RR - Acho que a mudança principal não será na música, na textura instrumental das faixas, embora isso seja justamente o que vai chamar mais atenção a principio. Esse disco não tem nenhuma "Geração Coca-Cola". Não estamos mais a fim de cuspir em cima dos outros. Eu acho que isso foi uma coisa de um momento. Já foi feito. Tem outros conjuntos que estão seguindo essa linha, acreditam nisso, acham uma coisa muito legal. Tudo bem, não tenho nada contra, mas partimos pra outra. A mudança, embora eu acredite que as pessoas vão sentir isso nas músicas, ela se manifesta mais no lance da temática. A gente está pegando exatamente o que a gente falava no primeiro disco, mas ao invés de ser aquela coisa corrosiva, aquela coisa de atacar, estamos tentando dar um recado, tipo assim: não é bem por aí. Está todo mundo muito sozinho, se ligando muito nas máquinas. Não é isso. O importante é saber de sua família, das pessoas que estão próximas de você e não copiar o cara que está na televisão. Foi isso que a gente começou a descobrir dentro do lance.

O primeiro disco de vocês tem uma certa unidade. Nenhuma música está ali gratuitamente. O próximo tem também um fio condutor, um elo entre as várias faixas?

RR - Olha, o disco estava sendo planejado para ser um álbum duplo. Iam ser 25 músicas. Grande parte desse material teria base acústica. A gente estava pegando muita coisa feita entre Aborto Elétrico e a Legião, música que eu tocava no violão. Íamos fazer arranjos para o conjunto tocar. Não deu certo por causa de uma série de problemas. Então tivemos que fazer uma redefinição do trabalho. Agora será um disco com 12 músicas, que tem um fio condutor, uma idéia central. A gente que se liga muito no rock sabe que os grandes discos são uma idéia. Você pega Sgt. Pepper's, dos Beatles; o primeiro dos Sex Pistols. É uma idéia, é um conjunto. E a gente quer fazer isso nesse disco. Tem muita música de amor, mas tem, também, música que fala do social, do político, mas num contexto emocional, num contexto individual, algo mais ou menos como "Baader-Meinhof Blues", só que sem aquela parte negativa. Eu acho que as idéias da gente estão bem gerais e não muito específicas. É um lance assim, ao invés de falar mal das pessoas que poluem os mares, ou das guerras, a gente prefere falar do universal, da experiência individual de cada um. Todo mundo respira, todo mundo sonha, todo mundo é confuso sexualmente, até certo ponto, todo mundo tem medo da morte. Então a gente quer falar sobre isso: do ponto em comum que une todas as pessoas.

Numa matéria analítica sobre o rock brasileiro, publicada recentemente no jornal do Brasil, o Tarik de Souza lhe chamou de neo-Jerry Adriani. Como você encarou isso?

RR - Olha, eu acho o Tarik um cara superlegal, mas ele entende é de MPB. Uma coisa que me irrita um pouco são pessoas de determinadas áreas, falando de áreas que não são delas. Eu não entendo nada de MPB. Sou amigo do Makalé, às vezes a gente conversa e tal, mas eu não posso me meter a fazer a crítica do disco do Moreira da Silva. O Tarik não tem base pra falar de rock. Ele é um excelente jornalista, entende muito de MPB, tem um trabalho que eu respeito muitíssimo, mas que não me venha falar de rock, pois ele não entende nada de rock. Mas, de uma certa forma, ele tem um pouco de razão, porque meu timbre de voz é parecido com o do Jerry Adriani, mas em uma ou outra música. Mas a partir do momento em que isso é utilizado para rotular e em cima disso criar um texto jornalístico, acaba sendo uma coisa de má-fé. Acho isso superdesnecessário. No entanto, acho que as pessoas têm total liberdade para expressar suas opiniões.



Me parece que sua ligação afetiva com Brasília é muito forte. Sempre que pode vem à cidade?


RR - Eu adoro Brasília. Pra mim, é a melhor cidade do Brasil. Futuramente, eu quero novamente morar em Brasília. Eu sei que a cidade tem muitos problemas, mas são problemas ainda contornáveis. Aquela tal história, se a gente não começar a pensar realmente nas satélites, vão acontecer algumas coisas terríveis. Brasília, o Plano Piloto, é uma ilhazinha, com uma vida caríssima. Uma das cidades de vida mais cara no país. E pode acontecer, realmente, uma coisa à la Revolução Francesa. Eu tenho uns amigos místicos, que é outro lado da cidade que eu acho superinteressante, que dizem o seguinte: se as coisas não forem bem encaminhadas, pode surgir um grande ressentimento por parte das massas. E com toda razão. Em Brasília, as crianças ainda podem brincar sozinhas nas quadras. No Rio, você não pode ter um apartamento sem um guarda, uma casa sem cachorro. Aqui a coisa ainda é tranqüila. Mas, e as satélites? Estou sabendo que estão fazendo um trabalho legal por lá, mas a gente tem que ter consciência disso e reivindicar mais. (... ) Eu acho assim, Brasília é uma cidade legal na medida em que você ainda pode melhorá-la. Por exemplo, ainda está em tempo da gente tomar conta da poluição, de dar um jeito no Paranoá, de ajeitar o trânsito. São coisas que ainda se pode trabalhar. Agora eu gosto muito de Brasília, porque aqui eu passei a adolescência, tenho meus amigos. Não são tantos, mas são pessoas especiais, que vão ficar pro resto da vida. O pessoal que trabalha com arte, que agita a cidade, são pessoas muito legais. Muita gente reclama que aqui não tem nada pra fazer, mas se você procura, você acha. Tem o Instituto Goethe, a programação do Cine Brasília, que está espetacular. Tem o Da Mata que é incrível. No Rio e em São Paulo existem mais alternativas, mas é aquele circuitozinho. Você sai do cinema e tem que se defrontar com aquele calor, com aquela poluição. Aqui, você sai da Cultura Inglesa e aspira um ar puríssimo e pode sair por aí caminhando tranqüilamente. E existe o intercâmbio cultural com as embaixadas e com as próprias pessoas. Você encontra pessoas aqui de todos os cantos do país, de todas as profissões, com todos os backgrounds possíveis. Isso dá uma interação de relacionamento humano, emocional, que eu acho muito legal, ao contrário das grandes metrópoles onde hoje só existem as tribos super fechadas.
Texto enviado por: Fabiano Moraes - Legião Urbana Web Fã Clube